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Henrique ‘Ogro’ Perrone

Surfari
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Dando sequência aos perfis elaborados pelo Surfari que expõem o trabalho de criativos e realizadores de todas as vertentes, apresentamos o shaper/artesão/marceneiro/diretor audiovisual Henrique Perrone, o Ogro. Formado em marcenaria pelo Senai (RS) e graduado no curso para shapers de Henry Lelot, no Rio de Janeiro, Ogro apenas formalizou a pesquisa e o estudo no campo em que sempre orbitou, a sala de shape e de trabalhos manuais.

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Ogro e uma das pranchas elaboradas para a exposição “Crocco + Ogro”, de 2011. Foto: Pedro Felizardo

Inspirando-se em momentos, pessoas e artefatos ricos em história – principalmente do surf – Ogro sempre optou por fazer mais do que falar. Justamente, quem falou mais sempre foram os amigos e conhecidos, a quem Ogro supostamente deveria algumas cotas de publicidade. À medida que ia desenvolvendo novos (e antigos) shapes e visuais, o boca-boca fazia com que o trabalho do shaper fosse divulgado entre as diversas gerações de surfistas que habitam o sul e sudeste do Brasil, principalmente.

No ano de 2012, Ogro alçou um voo mais alto, após conceber e finalizar o curta metragem UPcycling – em parceria com amigos cineastas – o filme foi eleito pelo voto popular o melhor curta do Surfilm Festibal, em San Sebastian, na Espanha. Entre uma visita e outra ao continente europeu, Ogro dedica-se a diferentes aspectos da surf art, tendo realizado, no ano passado, uma bela exposição de modelos de pranchas feitos em colaboração com o Studio Crocco. A seguir você confere um pouco do trabalho e do que se passa na mente de Henrique “Ogro” Perrone.

TRAILER_UPcycling from Amago Images on Vimeo.

Quando e como você começou a surfar e se envolver com o surf? (quem te influenciou na época?)

Começei a surfar aos 13 anos, por influência do meu irmão mais velho. Ele me deu a prancha velha dele, uma Pirata [Surfboards]. Nessa época, geralmente íamos pra Torres (RS) e Barrinha (SC). Depois de um tempo, cortei a quilha traseira dela pra ver como seria surfar de biquilha, aí já surgia meu interesse em shapes diferentes.

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A evolução da Ogro Surfboards. Foto: Rodrigo Hill

Qual foi a primeira prancha que você shapeou? Qual foi a motivação na época?

Quando acabei o ensino médio fui morar na Austrália com meu irmão e um amigo. Lá encontrava e recolhia muitas pranchas antigas no lixo, vi vários shapes de caras como Simon Anderson, Wayne Lynch, Terry Fitzgerald, LSD [Lahaina Surfing Designs, do lendário shaper havaiano Dick Brewer], Warner, entre outros. Então, certa vez encontrei uma prancha de windsurfe, descasquei e tentei shapear uma biquilha, o que não deu muito certo. Ainda assim, montei um quiver com diversas pranchas antigas. Duas monoquilhas, uma biquilha e uma triquilha. Quando voltei ao Brasil, após dois anos lá, decidi fazer o curso de shape com o Henry Lelot no Rio de Janeiro. Então, voltei para Porto Alegre e fiz uma monoquilha diamond tail para um amigo. Ficamos 7 horas fazendo a prancha e bebendo vinho juntos. Depois disso, fiz uma para mim e outra para o meu irmão, e aí o interesse das pessoas ao meu redor foi crescendo.

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Ogro experimentando materiais na sala de shape. Foto: Arquivo Pessoal O.P.

Quem/qual são suas inspirações e referências?

Me inspiro em pessoas que ousam fazer o novo, algo diferente. Pessoas que marcaram sua época, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Caras como Rico [de Souza], Tito Rosemberg, Homero [Naldinho], Wanderbilt, [Felipe] Siebert, Gerry Lopez, Dick Brewer, Michael Peterson, Owl Chapman, Skip Frye, Hobbie, Terry Martin, Barland, entre outros. Precisaria de uma página inteira para citar todos eles.

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6’4” Mini Simmons; Double Foil; Twin Keel Fin. Foto: Arquivo Pessoal O.P.

Num país como o Brasil, onde não há uma grande variedade de tipos de onda (como ocorre nos EUA e Austrália) e as pessoas costumam surfar com modelos muito semelhantes, como você vê o mercado para o tipo de prancha artesanal que você faz?

Eu acho que as ondas do Brasil combinam muito com esse tipo de prancha, fishes, eggs, pranchas com mais área e mais flutuação. Tem os dias que é preciso usar uma prancha mais fina, de performance, numa onda mais rápida e forte, porém, na grande maioria dos dias são ondas que combinam com pranchas alternativas. Uma prova disso é a quantidade de gente usando fishes, ou até triquilhas com bicos mais largos etc. Com onda ou sem, o importante é que o brasileiro está usando vários tipos de prancha, isso eu acho muito valioso para o surfista,  experimentar vários tipos de rabeta, combinações etc. Antes isso era mais comum lá fora, mas agora, com o acesso a informação e a renda maior, o brasileiro está testando mais opções.

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Ogro em um ambiente diferente da sala de shape. Fotos: Arquivo Pessoal O.P.

Como surgiu a ideia do filme? Quem foram os principais envolvidos? Pretendem estender esse conceito em outros filmes?

A ideia do filme surgiu há algum tempo já. Tinha vontade de fazer algo que mostrasse todo o processo de fabricar uma prancha, as pessoas envolvidas e como é artesanal tudo isso. Fiz o curta com 3 amigos, o Gustavo Faraco, fotógrafo/cineasta da Amago Images, o Cristiano Malmann e o Norberto Idiart, que trabalham com vídeo e produção e fazem parte do Estudio Indigo. Somos todos de Porto Alegre (RS), amigos há anos, viajamos várias vezes juntos e então temos uma conexão e gostos em comum. Talvez façamos algo a mais nessa linha, primeiro, temos que trabalhar o UPcycling, pois, no momento estamos participando de festivais de filmes de surf ao redor do mundo.

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James Santos experimentando uma Bonzer 5’2” shapeada por Ogro. Foto: Osvaldo ‘PoK’ Jr.

Quais são os próximos plano de Ogro Perrone e onde podemos observar mais do seu trabalho?

A criação não pode parar, a cada projeto novo que eu finalizo já estou pensando no próximo, pra não ficar muito tempo parado entre uma coisa e outra. Faço minhas pranchas, tenho um projeto de pranchas com o Studio Crocco – do qual fazem parte o Thomaz Selliens e a Heloisa Crocco, designers que gosto muito, aqui de Porto Alegre (RS) também. Sempre procuro fazer parcerias, como nesse filme, e adicionar algo de diferente no meus trabalhos. As pessoas podem me encontrar no site, o ogrosurfboards.com, pelo Facebook e por aí vai. Um abraço pra todos!

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Modelos da coleção “Crocco + Ogro” em exposição no Uruguai. Foto: Arquivo Pessoal O.P.

 

Introdução e entrevista por Lucas Zuch.

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