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Guess the Spot apresenta: Píer de Atlântida, Rio Grande do Sul

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

“O bom filho à casa retorna”.

Sentimento sincero ao regressar de grandes jornadas.

Viajamos o mundo, conhecemos novas culturas, ondas, praias. Cada lugar conserva suas características próprias, e são tais peculiaridades que ficam guardadas em nossa memória.

Na ótica de um surfista do extremo sul do Brasil, temos nossos Píers mas não somos a Califórnia, temos ondas pesadas mas não somos o Havaí, temos nossos momentos tubulares mas não somos a Austrália. O surf no Rio Grande do Sul tem sua personalidade própria.

Ao crescer em veraneios na praia de Atlântida, desde a tenra idade nos é ensinado o quão perigoso é nosso o mar.. correntes, buracos, redes de pesca. Para uma criança que admira o mar, isso funciona como uma psicologia reversa. O desafio está ali, presente, é apenas ganhar a primeira prancha para iniciar o enfrentamento.

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A vastidão do litoral norte gaúcho, praia de Atlântida. Foto: Adriano Pinto de Faria

Temos que admitir, o pequeno município de Xangri-lá, no nosso litoral norte, não possui as melhores ondas do mundo, nem mesmo do Brasil, longe disso. Mas quem é criado aqui entende os ensinamentos proporcionados após milhares de sessões, muitas vezes decepcionantes, mas sabendo que no próximo final de semana pegaremos a Freeway, tentaremos novamente… sutil sabedoria da persistência.

Palavra, esta, essencial para o sucesso em qualquer área.

No surf é fundamental, no Rio Grande do Sul é crucial.. go hard or go home. Varar a arrebentação sem desistir, dropar sem a certeza de que vai abrir, primeiro mergulho às 7 horas da manhã no inverno sabendo que a cabeça vai doer, vento nordeste castigando. Aqui nada vem fácil.

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O antagonismo de um mar mexido e bela paisagem. Fonte: nelide.blogspot.com.br

Na área do litoral norte gaúcho também temos acesso à boas ondas… a cidade de Torres, dias de inverno em Capão da Canoa, Plataforma de Tramandaí, e aquele que mora no coração de muitos: Píer de Atlântida.

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Lar doce lar. Fonte: guima.arq.br

Para alguns, o início de tudo, o primeiro caldo, o primeiro drop, os aprendizados, devemos muita coisa a esse pico. No inverno, acorde cedo, encare o frio, vento terral, você será recompensado.

Atlântida em em um dia inspirado. Foto: Lucas Bay

Voltando ao início do texto, ao retornar de uma viagem, estaciono o carro de frente ao píer, visto o long john, tiro as pranchas do rack, amigos por perto, chimarrão na mão, belas mulheres passando, penso:

“There’s no place like home.”

Direção da ondulação: Sul/Sudeste/Leste/Nordeste.

Direção do vento: Noroeste/Oeste/Sudoeste.

Melhor época para o surf: março a agosto.

Traje apropriado: long john 3.2mm no inverno (semanas mais frias do inverno long 4.3mm e botas são aconselháveis), bermuda de banho no verão.

Texto: Cássio Cappellari

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