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Faça Você Mesmo: Como Montar seu Próprio Escritório

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Abaixo você pode ver o vídeo, mas se quiser a versão completa dos fatos, recomendo a leitura do texto a seguir.

Surfari Headquarters from Surfari on Vimeo.

A estética do faça você mesmo, mais conhecida pela sigla inglesa DIY (do it yourself), é um dos movimentos comportamentais “recentes” mais importantes para uma sociedade equilibrada. Estimulado há décadas em países europeus e, principalmente, nos Estados Unidos, esse comportamento está muito mais relacionado a uma necessidade do que a uma opção. É simples, em países onde a mão de obra especializada é cara, a maioria das pessoas não tem a opção de se dar ao luxo de contratar um jardineiro, uma empregada doméstica ou um marido de aluguel para pregar um quadro na parede.

No entanto, essa prática de colocar as próprias mãos na massa tem implicações bastante profundas em uma sociedade. No determinado momento em que você escolhe fazer algo pelo esforço do próprio trabalho (geralmente, manual), está economizando dinheiro, estimulando o cérebro a aprender algo novo, trazendo sua vida para o mundo off-line e, em última instância, forçando a qualificação profissional de pessoas cujo trabalho está em um nível de complexidade menos avançado.

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Bem, o que isso tem a ver com fazer o próprio escritório? Novamente, é simples. O Brasil é um país em desenvolvimento que tem sido muito prejudicado pelo baixo crescimento econômico dos últimos anos e o retorno da pressão inflacionária, porém, com uma taxa de desemprego quase inexistente, o resultado é o aumento da base salarial, acompanhada de uma simultânea diminuição do poder de compra. Traduzindo, quase todas os profissionais estão ganhando mais, e os preços continuam subindo, o que faz com que a contratação de serviços se torne cada vez mais problemática. Aí começa o flerte do Surfari com o DIY.

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Somos uma empresa pequena e jovem, características que implicam em baixa capacidade de investimento. Tudo é no limite, por isso, quanto mais econômicos formos, maior as nossas chances de sobrevivência. No ano passado, nosso objetivo inicial de trabalhar exclusivamente com a produção de conteúdos audiovisuais e editoriais, eventos e projetos autorais, foi gradativamente sendo desviada para o aceite de jobs comerciais.

Precisávamos fazer um caixa para expandir a empresa, isso aconteceu naturalmente. Eis que conseguimos alugar uma sala comercial. Muito bem, mas, e agora? Depois de pegar umas cadeiras emprestadas em casa e comprar uma mesa, a sala virou um grande depósito sem nenhuma organização ou cuidado. 3 caras trabalhando dia e noite, prazos apertados e uma inclinação para não se importar com bagunça, isso era apenas natural.

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Até que chegou um dia em que nem nós aguentamos mais aquele ambiente hostil. Pode parecer besteira, mas a bagunça era tanta que cansava os olhos, chegando ao ponto de diminuir nossa produtividade frente à tamanho caos. Ok, precisávamos de ajuda. Chamamos uma amiga arquiteta e decoradora, a Andrya, para ver se ela podia nos ajudar. Tínhamos que gastar o mínimos possível, mantendo o lugar organizado e com espaço e meios para fazermos projetos manuais.

Gostamos de usar ferramentas e fazer bagunça, então, rapidamente ela trouxe uma solução que nós mesmos pudéssemos montar. O projeto foi aprovado sem quase nenhuma alteração. No dia 06 de janeiro, com a chegada das placas de OSB que mais tarde se transformariam em prateleiras, armários e mesas, demos início ao nosso projeto DIY mais ousado até então.

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Lixar madeira, passar verniz, montar prateleiras, montar armários, furar paredes, pintar parede, contornar problemas imediatos (como paredes tortas e cantoneiras-surpresas), furar mais paredes. Não pense que somos experientes nisso, foi nossa primeira vez. E ao invés de sair com a mente e os olhos esgotados ao fim de um dia de trabalho inteiro na frente do computador, saíamos de lá fisicamente exaustos, com a coluna torta e o cérebro fervilhando, de tanto pensar na resolução de problemas que não sabíamos direito como lidar.

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Certa vez, entrevistei uma das minhas principais referências em DIY, o californiano Cyrus Sutton, do Korduroy.tv, e ele me disse uma das coisas mais legais que já ouvi sobre o assunto. Cyrus disse que DIY é uma estética, é uma forma de encarar desafios que você nunca se deparou e perceber o quão ruim você é no início, pois ninguém fica bom antes de repetir pelo menos 10 vezes a mesma atividade, mas que te dá um senso de realização incomparável a comprar uma coisa pronta.

Para mim, DIY é apenas uma forma de sair da frente do monitor e usar minhas mãos para fazer algo que não ficará guardado em bits ou bytes, o resultado é algo que vai ficar em contato com a minha vida e, se der certo, influenciar ela para um caminho melhor.

Texto: Lucas Zuch

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