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Eu Surfo Porque…

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Inspirados por uma campanha da Billabong

Por que acordar às 6:30 da manhã de um domingo? Por que entrar em um mar em que a temperatura da água é capaz de deixar todos os membros do corpo adormecidos? Por que viajar horas, dias, semanas, ou durante a vida toda, apenas para praticar um esporte?

A resposta é simples, quase evasiva: “é um sentimento inexplicável, autêntico, conquistado “. A busca por compreender o surf é como procurar entender a existência do Universo… são mistérios em torno de um ato cujo objetivo são preciosos segundos de troca de energia com o oceano.

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Comparo o surf com a jornada da nossa vida, e, neste processo, diversos sentimentos estão envolvidos: alegria, medo, êxtase, raiva, plenitude, decepção. Antagonismos que transformam momentos simples em intensos, medo em coragem, meninos em homens.

Já passamos pela situação de entrar no mar e dividir aquele momento sagrado com mais dezenas de guerreiros com o mesmo objetivo, onde é vital aprender a compartilhar as ondas e esperar seu momento, aprendizado: paciência.

Já passamos pela situação de sair de casa com a expectativa de pegar as melhores ondas do dia, ou quem sabe, da vida. Porém, ondulações, ventos, marés, nada disso está em nosso controle e amanhã é sempre um novo dia, aprendizado: persistência.

Já passamos pela situação de observar o mar e perceber condições desafiadoras, significando limites a serem transpostos. Impulsionados pela adrenalina, agimos apesar do medo, aprendizado: coragem.

Já passamos passamos pela situação de se sentir alheio à qualquer perigo, cheios de confiança dentro do mar. Ao receber o impacto de energia vindo do fundo do oceano, percebemos o quão pequenos somos, aprendizado: humildade.

A evolução no surf e a evolução pessoal caminham juntas, uma é diretamente proporcional à outra. Enquanto uma parte internaliza, a outra põe em prática, e vice-versa. Ser uma pessoa melhor a cada dia ou um surfista melhor a cada sessão, no fundo, está interligado.

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O individualismo do esporte nos torna pessoas independentes, onde vitórias e derrotas são nossas e de mais ninguém.

Dentro do mar, sentados na prancha, contemplamos o horizonte, refletimos a respeito daquela onda, daquela manobra, daquela atitude, daquela situação, daquele momento, conectados a natureza, espírito renovado, consciência limpa, tudo se resolve.

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Há uma citação muito interessante, feita pelo cineasta argentino Fernando Birri, que diz:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Transformando para o nosso mundo:

A onda perfeita está lá no horizonte. Surfo duas ondas, espero mais duas séries. Surfo dez ondas e aguardo mais dez séries. Por mais que eu surfe, jamais alcançarei. Para que serve a busca? Serve para isso: para que eu nunca deixe de surfar.

Eu surfo porque…
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E você?

“Arte não tem sentido e de algum modo não tem propósito. Mas nossas vidas sem arte não teriam sentido e nem propósito.”

Texto: Cássio Cappellari

Fotos: Chris Burkard

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