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Entrevista Fred Pompermayer

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Fred Pompermayer é um dos fotógrafos brasileiros com mais reconhecimento na indústria do surf mundial. Em seu currículo constam capas de revistas estrangeiras, como a Surfer, Tracks e The Surfer’s Journal e também três prêmios no prestigiado concurso Billabong XXL, considerado o Oscar das ondas gigantes. Em um ramo tão concorrido, se destacar é uma tarefa para poucos. São vários os ingredientes necessários para o sucesso: talento, persistência, olhar, criatividade, e, não menos importante, um bom equipamento. Troquei uma ideia com o fotógrafo para saber o que só o olho dele viu durante a passagem do tour pelo seu quintal de casa, na Califórnia, e fui descobrindo um pouco mais sobre sua técnica e os planos para o futuro.

 

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– Você costuma acompanhar os surfistas brasileiros no WCT? Em sua carreira como fotógrafo de surf, como você enxerga a evolução dos surfistas brasileiros – em especial Adriano de Souza, considerado um dos precursores da nova geração?

Costumo acompanhar algumas etapas pelo webcast da ASP, e o evento de Trestles – por ser aqui na Califórnia, onde moro. Meu ponto de vista é que a nova geração do surf brasileiro veio para ficar e, sem dúvidas, o Adriano foi muito importante como precursor, abrindo muitas portas, quebrando barreiras e vencendo eventos.
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– Morando na Califórnia há mais de 10 anos e conhecendo muito bem o surf da região, quais são seus picos preferidos para fotografar?

O estado da Califórnia tem ondas boas em toda sua costa, mas o que mais gosto é de fotografar a região Central e o Norte da Califórnia, geralmente em swells grandes. Essas regiões são mais isoladas, sem crowd e são ondas que quebram somente com condições especiais e com um bom tamanho.

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Carlos Burle em Maverick’s

 

– Para você, o que faz de Trestles uma onda tão especial?

Trestles é considerada a melhor onda de high performance da Califórnia, pois sua formação é especial para manobras progressivas e modernas. Além disso, sua constância é impressionante, todo dia tem uma vala boa em Trestles.

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– Nesta etapa de 2014, você registrou a performance do Mineirinho durante todo evento de Trestles. Na sua opinião, qual é o diferencial no surf do Adriano de Souza, e o que faz dele um grande ídolo do surf nacional?

O Adriano é um surfista que venho trabalhando há muito tempo, e tenho acompanhado de perto sua evolução. Um verdadeiro atleta, muito dedicado dentro e fora d’água, e está sempre em evolução, buscando aprimorar suas manobras e sua linha. Seu foco, garra e constância fazem dele um dos melhores surfistas do mundo.
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– Quais equipamentos você utiliza em suas seções de fotografia? E na sua opinião, onde está o equilíbrio entre uma câmera de alta tecnologia e o olho do fotógrafo?

Eu uso câmeras e lentes Canon; Cameras 1Dx, 6D, 7D e as lentes variam desde 14mm até 500mm, dependendo da situação. Também uso caixas estanques que eu mesmo fabrico e também equipamento de iluminação.

Hoje em dia com esse avanço tecnológico, a maioria das câmeras fazem um trabalho de qualidade, mas o uso adequado das funções e combinações de exposição fazem diferença. O mais importante é a visão do fotógrafo em relação ao enquadramento, perspectiva e sempre buscar inovação.

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– Para você, quais são os principais fatores que fazem uma foto de surf se destacar entre tantas outras?

Uma foto de impacto chama a atenção no primeiro olhar. Isso pode ser tanto a composição; ângulo inusitado, cores, beleza do local ou na ação em si; dificuldade da manobra, agressividade, perigo envolvido, momento.
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– Como está o cronograma de viagens daqui pra frente? Novos projetos em vista?

Tenho alguns trabalhos fechados no Havaí com algumas empresas, e com outros esportes outdoor. Meu foco principal são as ondas grandes, e esse ano a expectativa é muito grande, pois é um ano de El Niño. E quando isso acontece, as bancadas do Havaí e aqui da costa Oeste dos EUA devem gerar ondas gigantescas nessa temporada.

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Acompanhe o trabalho de Fred Pompermayer pelo Instagram @fred_pompermayer
Entrevista e introdução: Cássio Cappellari

Fotos: Fred Pompermayer

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