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Entrevista com o Shaper Guga Arruda: A Vanguarda das Pranchinhas

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Guga Arruda é o shaper das pranchas Power Light Surfboards, mas, essencialmente, um surfista profissional que também se interessou por outras áreas do esporte. Esta união de atleta profissional e shaper curioso, tem feito Guga se destacar como construtor de pranchas. O motivo é a inovação, em vários aspectos; nos materiais usados, no processo de construção, no desempenho e qualidade das pranchas.
Quando vi pela primeira vez uma prancha da Power Light, pensei ser conversa de vendedor, dizendo que era mais resistente, muito leve e com uma ótima performance. Depois, conhecendo melhor o shaper, percebi o empenho de um surfista para melhorar suas manobras. Ampliando as possibilidades do surfista na onda, Guga tem mostrado um produto muito diferente do que se encontra no mercado. O Madeira e Água entrevistou Guga para entender melhor essa busca.

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Guga, conta o início da sua história no surf. De onde você vem e como começou no esporte?

Sou nativo de Floripa, comecei a surfar com o incentivo do meu primo Neko e nunca mais parei.

 

No seu caso, além de construir pranchas você é um surfista profissional. Fale para nós desta trajetória, como passou de dentro d’água para as oficinas de pranchas.

Como surfista profissional, sempre busquei as melhores pranchas para atingir alta performance, com isso conheci os melhores shapers do mundo e procurei os materiais que pudessem oferecer performance pra fazer a prancha do jeito que eu queria, precisei fazer eu mesmo.

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Guga Arruda e sua 5’10”, Faca na Manteiga.

Quem foram seus mestres neste ofício, aqueles que te ensinaram o que você sabe?

Tive os melhores mestres, entre eles gostaria de citar: Avelino Bastos, Igor Havenga, Fernando Sheena, Ricardo Martins, Pat Rawson, John Carper, João Maynart, Mario Flavio, Paulo Araujo, Jair Fernades.

 

Os melhores shapers são, antes de tudo surfistas exigentes, suas pranchas refletem estilo e conceitos sobre o esporte. Eu tive a oportunidade de pegar algumas das suas pranchas e percebi que elas são de alta performance. Quem são tuas referências dentro d’água?

Teco Padaratz, sempre foi uma grande referência para mim, e hoje ainda mais por ser o test driver das minhas pranchas.

 

Você possui um grande diferencial no mercado de pranchas de surf, seu processo de construção é totalmente diferente do convencional. Como você chegou aos modelos de termo-moldagem? Qual benefício desta técnica?

Jair Fernandes foi meu professor nesse método, depois disso, já trabalho há 6 anos com essa técnica, evoluindo e desenvolvendo; e hoje mantemos uma patente compartilhada. Os benefícios vão desde a redução de resíduos tóxicos, durabilidade, leveza até a mais alta performance alcançada com o controle da flexibilidade e a oportunidade de reproduzir as pranchas mágicas em moldes.

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5’10” Kuringa Wing Swalow

Outra grande inovação é o acabamento das suas pranchas. Normalmente usa-se fibra de vidro, mas suas pranchas possuem fibra de carbono, kevlar (fibra sintética) e folha de madeira. O uso destes insumos é invenção sua? Fale-nos das vantagens de uma prancha com estes materiais.

Aprendi um pouco com cada mestre, mas o trabalho de flexibilidade em cima de madeira, kevlar e carbono, fui eu mesmo que encabecei nos últimos anos, por interesse de surfar cada vez melhor. O carbono, além da leveza e resistência, agrega velocidade às pranchas, o kevlar também é leve, resistente, mais flexível e traz maleabilidade. A madeira, que é nosso carro-chefe, fica com a flexibilidade mediana e proporciona uma prancha equilibrada entre velocidade e maleabilidade.

 

As carreiras de surfista e de shaper envolvem muito de viagens, praia e mar, mas não é tão simples seguir este estilo de vida no Brasil. Pede-se talento, perseverança e uma dose considerável de sorte. Como você avalia o mercado atual em relação ao começo da sua carreira?

O mercado vem crescendo e as pessoas estão mais exigentes e dispostas a pagar mais por algo melhor. Surfar traz felicidade, e isso não tem preço. Na era da informação, onde todos tem acesso a tudo, o cliente quer o que há de melhor e isso nos possibilita investir em pesquisa e manter nossa busca pela performance.

Entrevista e texto por Guilherme Pallerosi, Madeira e Água.

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