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Desbravadores que Você Deveria Conhecer | Greg Long

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O que caracteriza um waterman?

Está aí uma pergunta difícil. Porém, nada melhor do que explicar através de exemplos vivos todo significado que esta palavra possui, afinal, o intitulado homem da água faz do oceano a sua primeira casa, seu refúgio, seu templo, sua área de lazer. É para poucos. Agora, some toda essa carga e ainda adicione a atitude de dropar ondas com mais de 30 pés de altura.

Seu nome é Greg Long.

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Local de San Clemente – CA, Greg foi uma pessoa predestinada aos esportes aquáticos. Sua família contava com um pai salva-vidas casca grossa da região, uma mãe entusiasta de praia e um irmão surfista profissional. Com um suporte desses na sua própria casa, vivendo em uma região abençoada por ondas, o sucesso era apenas questão de tempo. E assim se sucedeu…

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Steve Long e o pequeno Greg. Pai e filho. Mestre e aprendiz.

Aos 6 anos de idade o pequeno californiano já demonstrava aptidão no surf, deslizando com estilo em seu longboard pelas praias locais. A evolução no esporte foi rápida, ao ponto de, aos 12 anos, Greg Long ser precocemente introduzido no mundo das ondas grandes ao observar fotos de seus ídolos como Mike Parsons surfar ondas gigantes que não estavam no mapa de San Clemente.

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Surfando com estilo aos 6 anos de idade.

Com seus 15 anos, enquanto a maioria dos garotos de sua idade se focavam em competições locais, Greg, junto de seu irmão, Rusty Long, viajaram até a temida onda de Todos Santos, Baja Califórnia – México. O primeiro drop em uma onda com mais de 20 pés de face foi amor à primeira vista, e, como já sabemos, após experimentar pela primeira vez as coisas boas e intensas da vida, não se quer mais parar. Ali surgia um dos maiores big riders da história, e Todos Santos se tornou seu homebreak e local de treinamento para ondas gigantes.

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1999, dropando uma bomba em Todos Santos com apenas 15 anos de idade.

Aos 17 anos de idade, foi campeão do NSSA National Men’s Open Title, competindo com muitas promessas do surf da época. O fato, é claro, chamou atenção da indústria do surf, até que, aos 18 anos, Greg ouviu de seu novo e primeiro patrocinador a frase mais desejada por qualquer garoto que pretende levar o esporte como um modo de vida:

“Just go and have fun.”

Mas era tarde demais, sua mente já não estava mais voltada para competições. Eram as ondas gigantes que faziam sua cabeça, como uma grande paixão platônica. Viajar, desbravar, procurar por novas aventuras e picos em potencial se tornou uma obsessão e estilo de vida.

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Puerto Escondido – México.

Vencer o Red Bull Big Wave Africa (2003), em Cape Town, com apenas os 19 anos de idade, botando para baixo sem medo de ser feliz na sinistra onda de Dungeon’s, foi o fato que o colocou definitivamente no mapa do mundo das ondas grandes.

Na época, o tow-in surfing estava atingindo seu ápice, e muitos picos já estavam lotados de jet-skis em dias de grandes ondulações. Greg Long encabeçou um movimento à favor de trazer a essência do surf em dias de ondas gigantes, ou seja: na remada, no braço, na fé e na coragem. Ele explicou o porque desta atitude em uma entrevista para o National Geographic, após receber o célebre prêmio de Desbravador do Ano por este mesmo canal:

“Quando você está em um jet-ski, você está essencialmente eliminando a parte mais difícil no surf de ondas grandes, que é pegar a onda e fazer o drop inicial. Quando você está remando, você está sentado no meio do line up, em um lugar de perigo iminente, e cabe a você quase que intuitivamente fazer a leitura do swell. Você aprende como o oceano se move. Quando você dropa, está literalmente no limite do topo de uma montanha com mais de 40 ou 50 pés de face. Então você ajusta seus pés, e um incrível sentimento de queda livre toma conta do seu corpo.”

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Jaws, Ilha de Maui – Hawaii

Mavericks, Jaws, Puerto Escondido… se destacar em picos como estes na remada não é para qualquer um, aliás, é uma tarefa digna apenas de um verdadeiro waterman.

Diversos surfistas de peso como Shane Dorian, Mike Parsons, Ian Walsh, ao falarem a respeito de Greg Long, compartilham a mesma opinião: “o cara é referência em dedicação, comprometimento, foco e radicalidade.” Para o surf é essencial, para dropar ondas gigantes é crucial.

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Maverick’s, Half Moon Bay – Califórnia

Títulos, prêmios no Billabong XXL, e sua carreira atingiu o ápice em dezembro de 2009, ao vencer o prestigiado Quiksilver Eddie Aikau, batendo Kelly Slater na final com ondas que passavam de 40 pés de face em Waimea Bay.

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Waimea Bay, Ilha de Oahu – Hawaii. Quiksilver Eddie Aikau.

Porém, sabemos que, ao lidar com esportes extremos, o preço a ser pago pode ser alto, ou, já parafraseando o grande clássico Caçadores de Emoção (Point Break):

“If you want the ultimate, you’ve got to be willing to pay the ultimate price.”

No dia 21 de dezembro de 2012, Greg Long navegou para o meio do Oceano Pacífico junto dos big riders Garret McNamara, Shane Dorian, Grant “Twiggy” Baker e Ian Walsh, mais especificamente à 160 km da costa de San Diego, sul da Califórnia.

A onda de Cortes Bank, como é chamada, talvez seja um dos maiores, se não o maior desafio atual para surfistas de ondas grandes. 60 pés de onda, alto mar, correnteza, tubarão branco, navios naufragados, ilhas submersas. Qualquer erro pode ser fatal. E quase foi.

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Cortes Bank, San Diego – Califórnia

Após dropar a segunda de uma série de cinco ondas gigantes, Greg caiu da prancha e recebeu o impacto da montanha de água. O sistema de flutuação do long john falhou, e, após aguentar três ondas na cabeça, o corpo não aguentou tanto tempo sem respirar.

O que se seguiu foi o resgate de jet-ski do corpo à deriva de Greg Long, que foi levado ao hospital mais próximo pelo helicóptero da guarda costeira. Felizmente a recuperação foi rápida e sem sequelas, porém, passar por uma experiência de quase morte marcou profundamente a vida do surfista.

Quase um ano após seu acidente, uma declaração foi enviada a respeito daquela que é chamada life changing experience na vida do surfista:

“Eu sempre surfei ondas gigantes por causa do desafio pessoal, e nunca deixarei de me desafiar enquanto estiver vivo. É dos verdadeiros desafios que vem nosso crescimento e os maiores aprendizados. Se eu tivesse que escolher um aprendizado diante desta experiência, é que realmente não importa o que nós escolhemos para fazer profissionalmente ou para passar o tempo. Nós todos viemos de caminhos diferentes e incontáveis experiências de vida, modelando quem somos e as jornadas que escolhemos. O que importa é se empenhar para seguir em frente se divertindo, trilhando nossos caminhos únicos de vida e ajudando os outros ao longo desta caminhada. O que importa é perseguir nossa felicidade pessoal e nossos sonhos com paixão e dedicação. O que importa é aproveitar essa vida, com momentos bons, momentos ruins e continuar crescendo e aprendendo com as lições que ela nos ensina. Eu sei que um dia, quando eu olhar para trás ao fim de tudo, esses valores e virtudes serão os meus maiores tesouros.”

By Greg Long, o verdadeiro waterman, o verdadeiro desbravador.

Ah sim, importante mencionar… apenas alguns dias depois de quase morrer em Cortes Bank, lá estava ele botando para baixo nas pesadas ondas de Mavericks.

Seria ele um louco? Um insano? Um obstinado?

Ou seria a resposta para a primeira pergunta do texto? Talvez seja isso.

Greg Long – Waterman Of The Year from (360) To Nowhere on Vimeo.

Texto: Cássio Cappellari

Go big or go home…

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