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Desbravadores que Você Deveria Conhecer | Amyr Klink

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Sair do emprego chato, dropar uma onda gigante, beijar a garota dos seus sonhos, tirar o objetivo de vida da gaveta e colocá-lo em prática. Apesar de situações distintas, há uma grande similaridade entre elas: para realizá-las é preciso tomar a atitude de descruzar os braços e agir sem medo (ou apesar dele). É isso que caracteriza o desbravador.

Amyr Klink é um grande exemplo disso. Tá duvidando? Vamos provar…

Nascido em São Paulo, filho de pai libanês e mãe sueca, Amyr não foi aquela criança que cresceu perto do mar, com incentivo da família. Pelo contrário, aos 10 anos de idade quase se afogou em uma das primeiras tentativas de aproximação com o oceano, o fato o afastou ainda mais de qualquer ligação com a água salgada.

Tudo mudou quando, ainda jovem, se mudou com a família para a pequena cidade de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. Um detalhe chave mudou para sempre a história de vida do futuro desbravador. Não haviam estradas para sua nova casa, ou seja, restava apenas uma modalidade de transporte: navios, barcos ou canoas. Surgia, assim, um dos maiores navegadores da história do Brasil e do mundo.

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A partir disso, ao observar constantes frotas de navios que cruzavam o Oceano Atlântico vindas de diversos continentes, somado a empolgação do jovem ao ganhar sua primeira canoa de presente… foi amor à primeira vista, da mesma forma que a criança que ganha sua primeira bola, ou o pequeno fissurado por ondas que recebe sua primeira prancha.

Tudo virou motivo para usar a canoa, ir ao supermercado, buscar as primeiras namoradas (convenhamos, muito mais preza!), expedições às praias vizinhas. Essas pequenas expedições foram crescendo, crescendo… e, em 1984, com 29 anos, Amyr Klink iniciou uma série de grandes jornadas que ficariam marcadas para sempre na história da humanidade.

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Travessia à remo no Atlântico Sul (1984):

Em uma canoa à remo, o desafio foi a primeira travessia solitária da história do Atlântico Sul. Durante 100 dias, Amyr remou do litoral da Namíbia (África) até o litoral da Bahia. Não bastasse a distância, naquela época, é importante ressaltar, não haviam aparelhos de GPS. O posicionamento da embarcação era calculado com base no movimento das estrelas e dos astros.

Essa viagem deu origem ao seu primeiro livro: “Cem Dias entre Céu e Mar.”

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Louco? Calma, tem muito mais…

13 meses solitários no continente antártico (1990):

Em 31 de dezembro de 1989, Amyr partia da pequena Paraty para realizar uma jornada quase utópica. Viajar até a Antártica pilotando um grande navio, o Paratii, novamente sozinho e contando apenas com seus conhecimentos marítimos. Dos 13 meses de viagem até o continente gelado, Klink passou 7 meses simplesmente estacionado no inverno antártico, onde, junto de seu navio , aguardou pacientemente a passagem da estação para, finalmente, partir. Ainda na mesma viagem, ele decidiu navegar do pólo sul para a latitude mais alta que o Paratii pudesse alcançar. Foram mais 5 meses de viagem, até que, 642 dias e 50 mil quilômetros depois, ele retornava ao Brasil no dia 4 de outubro de 1991.

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Insano? Não tire conclusões precipitadas. Há mais por vir…

Volta ao mundo através da circunavegação polar (1998):

Atravessar o planeta pelo caminho mais curto, rápido e difícil. Muitas vezes tentado, porém, nunca antes bem sucedido, este era o novo desafio de Amyr Klink,. Então, no dia 31 de outubro de 1998, o Paratii partia novamente junto de seu bravo capitão para a empreitada mais difícil, desafiadora e perigosa, até então. A epopeia contou com ventos de 120 km/h, icebergs, tempestades que o obrigaram a ficar 3 dias sem dormir… mas, como não podia deixar de ser, 88 dias após a partida, o Paratii e seu navegador retornavam firmes e fortes ao litoral brasileiro.

Viagem que deu origem a outro livro: “Mar Sem Fim”

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Zona de conforto, inércia, passividade… todas palavras ligadas à mediocridade são algo que, quase que de forma paranoica, Amyr Klink faz questão de evitar.

Até hoje ele ainda reside em Paraty com sua esposa e duas filhas, sem tecnologia, sem estradas, sem televisão. É o tipo de sujeito que você poderia procurar e trocar uma ideia sobre a vida.

Terminamos o texto com uma das citações mais inspiradoras e famosas entre aventureiros, mochileiros e andarilhos, tirada de seu livro “Mar Sem Fim”:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” 


Assista ao documentário ‘Mar Sem Fim’: Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4Parte 5Parte 6

Texto: Cássio Cappellari

Fotos: amyrklink.com.br

E o mar, que antes era um obstáculo, agora é um caminho…

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