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Como a Nação do Brasil Mudará o Surf

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

O que não é novidade para nós, brasileiros, impressiona os gringos lá de fora. Que o Brasil é uma nação enorme e que adora, acima de tudo, o esporte, também sabemos. Há algum tempo desenvolvemos uma pesquisa sobre o mercado de surf (resultando no vídeo Reconhecendo o Surf) que indicara que 90% do público que consome surf (produtos e conteúdo), não é surfista. O que ainda não sabíamos, é que os estrangeiros estão vendo o nosso país como referência mundial de investimento. O site The Inertia fez uma relação entre a nossa nação torcedora, a ascensão do esporte e o cenário de investimento no surf brasileiro. Confere aí:

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O  surf está mudando. O Brasil está no caminho para se tornar os novos Estados Unidos do esporte. O Oi Rio Pro foi um indicador de que o surf está vivendo uma mudança cultural na popularidade, e esta mudança, ao mesmo tempo, está sendo percebida pelo público “não-surfista”.

Em outras palavras, o surf está sendo plantado em um solo fértil, e o Brasil é o lugar onde essa semente foi plantada.

Por anos, os negócios do surf eram (e ainda são) dominados por pessoas brancas. Apesar das raízes da cultura havaiana, as maiores organizações de surf eram de propriedade de brancos. Os melhores surfistas eram, na maioria, brancos. Empresas comercializam para uma audiência branca, ao invés de surfistas. Era um enigma estranho: o mercado foi, em grande parte, direcionado para brancos, porque as organizações 0s mapearam, e o mercado continua assim pela mesma razão. Eles criaram e impuseram o estereótipo do surfista, mas tudo isso está mudando agora. Alguns anos atrás, o Brazilian Storm tomou conta das competições mundiais como, bem.. tempestades. Embora tivessem muitos antes dele, foi Gabriel Medina que abriu os portões, e o resto do mundo não está nem perto de fazer o que eles fazem. Este ano, Filipe Toledo tomou as rédeas, e apesar de o ano estar longe de terminar, ele é franco favorito ao título mundial.

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2014 foi um ano ruim para o surf, ou dependendo de como você olha para ele, foi bom. Foi ruim porque Medina expôs uma verdade sobre o surf, quando foram desferidos a ele comentários e sinais de ofensa: o racismo no esporte existe. Ele transformou uma mentalidade de “nós (gringos) contra eles (brasileiros)”. Por outro lado, foi um ano bom porque um brasileiro ganhou um título mundial e isso despertou um país cheio de fãs fanáticos que nunca antes havia sido representado. Um exemplo foi o caloroso momento em que John John caminhava na praia para sua bateria, no quinto round, do Oi Rio Pro. Mesmo em Pipeline, lugar que o menino cresceu, nunca houve uma ovação tão grande dos fãs. As lágrimas rolavam pelo rosto das pessoas quando elas esticaram as mãos para tocá-lo. Os fãs gritavam com um fervor quase religioso. Isso nunca aconteceu antes em uma escala tão grande na história do surf. Quando Medina voltou para casa no ano passado como campeão mundial, foi recebido com a adoração igualmente à uma estrela de rock.

Filipe-Toledo-   Gabriel Medina, Barra da Tijuca

O Brasil é a nação mais vibrante do planeta. O surf nunca teve uma chance melhor de romper com suas raízes anarquistas do que agora. Apesar de muitos surfistas, inclusive eu, não querer tornar o surf um esporte competitivo a nível de NFL ou MLB, ele está se tornando. O Brasil é uma nação que tem a competição nas veias, enraizado na sua cultura. O país vê o surf diferentemente do resto do mundo.

É mais esporte do que arte, é mais competição do que lazer. E para aqueles que trabalham no mercado do surf, está parecendo um puta lugar para investir.

 

Introdução e tradução: Andréia Sabino

Texto: Alexander Haro

Fonte: The Inertia

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