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Chris Burkard, O Fotógrafo do Mundo

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Chris Burkard é um dos fotógrafos de surf mais conhecidos no mundo. Conhecer o trabalho do califoniano Burkard é ter a possibilidade de enxergar diferentes partes da Terra e novos mundos para o Surf. Um fotógrafo que denomina as suas imagens de “Burkard Photo”, ou seja, uma fotografia que possui uma identidade e uma alma que somente o Chris Burkard pode realizar.

A sua mais recente “surf trip” em uma zona desconhecida e proibida da Rússia fez as fotografias de Chris chamarem atenção em diferentes partes do globo terrestre e a sua qualidade como fotógrafo fica cada vez mais estabelecida e reconhecida pelas principais mídias de surf pelo mundo. O californiano percorreu um longo caminho para chegar onde está hoje, mostrando desejo, humildade, curiosidade, sede de conhecimento, descoberta e aprendizagem.

Em entrevista concedida ao Lente Salina, Chris Burkard conta um pouco da sua história de vida, seus trabalhos e as aventuras que passou pela “Forbidden Zone” na Rússia.

Teva Unfollow Series Presents: Adventure Photographer Chris Burkard from teva on Vimeo.

Chris, conte-nos um pouco da sua história. Qual a sua origem?

Eu nasci e cresci no centro da Califórnia em uma cidade chamada Arroyo,  próximo de Pismo Beach. O lugar éprovavelmente mais conhecido por sua sopa de mariscos do que qualquer outra coisa, mas é o local que euaprendi a amar por tantos outros motivos. A beleza natural e as paisagens no centro da Califórnia são diferentes de qualquer outra parte do mundo.

Chris, como a fotografia entrou na sua vida? Há alguma influência especial?

Quando terminei o ensino médio, eu realmente estava envolvido com arte e outros tipos de meios artísticos.Eu sempre amei ser criativo, mas eu sintia que não tinha encontrado uma maneira de me expressar. A primeira câmera que peguei foi em um leilão, “Goodwill auction”, por 65 dólares. Ela nunca funcionou, nem mesmo um único rolo de filme saiu! Depois desse momento,  eu tive outra câmera e fiquei obcecado com o “filme de tiro”. A câmera era uma Nikon N90s. Cursei uma aula de fotografia preto e branco na faculdade edesse ponto em diante eu passei a ser viciado em fotografar.

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As suas fotografias passam por vários ramos. Porém, as fotografias voltadas para o surf possuem um maior destaque. Como o surf entrou na sua vida?

O surf se tornou definitivamente o “meu nicho” e tenho investido a maior parte do tempo de filmagem nesse esporte. Ele combina a emoção de filmar um esporte de ação com a beleza de fotografar paisagens. Minhaverdadeira paixão está na fotografia de paisagens e definitivamente procuro fotografá-las, mesmo quandoestou realizando imagens de surf com muita ação.

Chris, apesar de possuir pouco tempo como fotógrafo, suas fotos possuem uma reconhecimento mundial. O que você diria sobre esse reconhecimento? Muito esforço, estudo, talento, sorte ou todos esses significados juntos? 

Acho que foi uma combinação de um monte de coisas, mas eu colocaria muitas horas de trabalho duro para chegar onde estou hoje. Eu tive a sorte de ter um estágio com a “Transworld Surf” que realmente me deu uma base para o padrão de fotografia que eu precisava para começar. A partir daí foi um monte de manhãs acordando cedo e indo dormir tarde da noite trabalhando em minhas fotografias e progredindo para chegar onde estou hoje.

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Quais os fotógrafos e artistas que te inspiram? 

Só de pensar esta questão a minha cabeça fica girando. Há tantas pessoas que me influenciaram e continuam me influenciando, não só como fotógrafo, mas como pessoa. Há muitos artistas, principalmente os impressionistas que me inspiram bastante. Existem alguns fotógrafos que eu gostaria de dar crédito: Henri-Cartier Bresson, James Nachtwey, Michael Fatali, Pete Taras, Nate Lawrence, Patrick Trefz, Joe Curren, Jeremiah Klein e Ron Stoner. Eu também me sinto muito influenciado por um monte de fotógrafos mais jovens. Eu não acredito que você precisa ter mais de 30 anos como fotógrafo para fazer a diferença. Veja caras como Todd Glaser, Zak Noyle, Mickey Smith e outros que constantemente vivem me lembrando a rapidez com que a fotografia de surf vem evoluindo.

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Chris parece que você viajou o mundo inteiro! Dá pra dizer que você é o fotógrafo do mundo! Você poderia nos contar como suas viagens começaram? Na sua “volta ao mundo” qual o lugar que mais te inspirou?

Essa é uma pergunta difícil, mas devo dizer que um dos meus lugares favoritos é a Islândia. Eu fui cerca de seis vezes e cada vez que vou as coisas são diferentes. Nenhuma viagem é igual a outra. A paisagem é incrível e o tempo vive em constante mudança. Naquele país você sempre se sente numa aventura à procura de surf e você nunca sabe como será o lugar até você chegar. Os países de clima frio realmente estão sendo os meus favoritos para viajar: Canadá, Rússia e Noruega são também meus locais mais desejados. Em breve espero explorar as regiões do Alasca. Há um potencial de onda que ainda é inexplorado e é difícil chegar nos litorais e paisagens incríveis que estão lá em cima.

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Como você decide as suas viagens? Qual a logística que está por trás de cada registro fotográfico?

Ao procurar um novo lugar para viajar eu geralmente estou procurando um local que é relativamente intocado ou tem um senso de aventura “caça-ondas”. Eu gosto de trazer um grupo de caras que estão afim de ficar um pouco sujos, que não se importam com momentos de camping e possuem a vontade de pesquisar, experimentar e não apenas a preocupação com o produto final de ondas perfeitas. Há algo em encontrar ondas em lugares que você nunca iria esperar surfar que torna a experiência ainda mais gratificante.

Logisticamente, em cada foto, está uma série de pesquisas sobre o local que estou indo viajar e busco ter uma idéia do que quero para sentir a viagem como um todo. Quero que as imagens contem uma história que é coerente, mas ao mesmo tempo eu tento não planejar muito minhas fotografias, pois “encontrar coisas” na fotografia, no momento em que se cria uma imagem é algo muito especial.

 

Fale-nos um pouco sobre os prêmios que você conseguiu. Como foi para você ganhar o “Red Bull ilume photo competition”? Conte-nos um pouco sobre a fotografia vencedora.

Como fotógrafo, vencer o Red Bull Illume foi memorável. Ele realmente trouxe meu trabalho para um cenário global e deu às pessoas de todo o mundo a oportunidade de ver o meu trabalho. Foi uma honra ser distinguido entre tantos fotógrafos talentosos.

História da fotografia vencedora

Acordamos bem cedo pela manhã, após muita chuva e ventos bastante fortes. A ondulação estava pulsando e parecia que ia entrar muito bem na bancada local. Fomos para um região em que os moradores disseram que raramente “quebrava umas ondas”. Quando chegamos no local realmente foi fascinante! Vinham uns tubos de esquerda muito, muito, muito longos! As ondas tinham quase o comprimento de um campo de futebol.

Nós nos ajeitamos e saímos para surfar. Nessa manhã eu estava bastante cansado e fiquei me perguntando como faria para registrar aquele momento tão singular. Eu dei uma volta na praia e subi uma área de duna para ter uma visualização melhor do pico. O “shore break” era imenso e vinham muitas espumas altas que fizeram eu perder momentos incríveis para uma bela fotografia. Finalmente, com um pouco de sorte, Peter Mendia pegou um “canudo” enorme que lhe proporcionou uns vinte segundos dentro da onda. Realmente foi um momento diferenciado, pois tudo estava convergindo para uma bela imagem, a luz e a paisagem se casaram produzindo uma linda harmonia.

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Fotografia vencedora do prêmio Red Bull Illume Image Quest de 2010.

As suas viagens fizeram você encontrar pessoas com diferentes características culturais. O que você poderia contar sobre essas experiências? Essa vivência modifica as suas fotografias?

Acho que experimentar todas essas diferentes culturas e pessoas realmente me deu uma maior perspectiva global. Eu posso ver as coisas que eu faço e como elas podem afetar mais pessoas do que a mim mesmo. Aprendi a apreciar o que me foi oferecido e, realmente, a oportunidade de conhecer muitas pessoas e culturas no mundo mudou minhas perspectivas. Todo mundo tem muito para aprender com outras pessoas que vivem no nosso planeta e eu tentei apenas absorver essas experiências como uma esponja, constantemente mudando a forma como eu vejo o mundo ao meu redor.

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Chris, você passou foi à uma “surftrip” recente na Rússia.  Pelo que saiu na imprensa, você disse que essa foi uma verdadeira “surftrip”. Em meio a tantas viagens como fotógrafo, o que te levou a dizer que essa foi a verdadeira? 

Tivemos de passar a maioria do nosso tempo somente acampando e buscando ondas. Tínhamos muito pouco das conveniências modernas e somente existiam pessoas que estavam procurando ondas, a beleza da natureza e a cultura ao seu redor. Ficamos muito ligados em tudo que estava à nossa volta. Acho que sempre tive essa fantasia sobre uma viagem de surf, onde se tem o acampamento na praia, acordar cedo, navegar do amanhecer até o anoitecer com ondas desertas e desconhecidas. Essa viagem foi a realização da fantasia.

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Fale-nos sobre o projeto na Rússia. De onde saiu a ideia de conhecer a “zona proibida” de Kamchatka?

Era um lugar que Tom Curren tinha ido antes, mas ninguém realmente sabia muito sobre o seu litoral além disso. Eu sempre ando animado na busca por novas áreas de surf e este parecia ser um destino perfeito para fazê-lo. Sabíamos que havia ondas, direitas e esquerdas, a depender do tempo e da nossa sorte.

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Fale-nos sobre Kamchatka. O que há de belo, diferente e desconhecido?

A paisagem é realmente diferente de qualquer lugar que eu já fui. Há enormes vulcões ativos que invadem a paisagem, rios e animais selvagens em cada esquina. Tivemos que ter um carro “off-road”, pois faltavam estradas e dirigimos por algumas áreas que duvido que muitos carros poderiam passar. Foi incrível ver as densas florestas, praias e montanhas, tudo tão próximo. Realmente a paisagem do local é feita de muitos contrastes.

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Chris, o que você diria para aqueles que querem seguir o seu caminho profissional? 

Eu diria que se você tem paixão pela fotografia, siga o caminho! Envolve muito trabalho duro e, assim como a maioria dos empregos “industriais”, fica cada vez mais competitivo. Mas faça sempre o seu melhor para tornar a sua obra única e de destaque. Aprenda sobre o lado negociável da fotografia, pois realmente vai ajudar você nos avanços dos seus trabalhos e servirá muito quando você começar a tentar ganhar dinheiro com as suas imagens.

Em suas viagens pelo globo terrestre, você conheceu o Brasil? Qual a impressão que você possui sobre esse país?

Eu nunca fui ao Brasil, mas mal posso esperar para ir em breve. Está definitivamente na minha lista de lugares para viajar e somente ouço coisas boas sobre a cultura e o surf! Pelo que ouvi dizer, terei  que trabalhar muito o meu futebol para visitar o local (risos).

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Chris Burkard é terceiro da primeira fileira (lado esquerdo) de cima para baixo. Essa fotografia foi realizada durante a trip pela Rússia.

Para conhecer melhor o trabalho do fotógrafo: WebsiteFanpageBlog.

Entrevista: Myron Paterson

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