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Book Review “Pequeno Príncipe”

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Grande parte das pessoas deve estar se perguntando agora: “Que p…. é essa?! Começar uma sessão de livros com O Pequeno Principe?!?!”

Bom, não vou negar que foi com surpresa que recebi este pequeno e manjado livro de aniversário. Pensei: o que alguém quer tentar acrescentar me presenteando com isto?! Na hora agradeci, pela presença e lembrança, mas confesso que não me despertou grande curiosidade. Algumas semanas se passaram com ele intacto na minha escrivaninha. Até que, por incentivo de terceiros e alguma curiosidade, resolvi dar uma chance à história.

O escritor e ex-piloto de aviões durante a Segunda Guerra Mundial, Antoine de Saint-Exupéry, inicia a narrativa contando como, logo aos seis anos, as pessoas grandes podaram, involuntariamente, o que poderia ter sido uma grande carreira artística. Isto por que, suas mentes desenvolvidas não podem entender um desenho infantil. Início no mínimo inusitado para um livro comumente citado por modelos e atrizes. O que descobri a seguir é que por meio de uma metáfora-fábula-conto-romance, Exupéry remonta uma experiência ocorrida quando seu avião teve uma pane no deserto do Saara. Enquanto tentava arduamente consertar sozinho o motor, o autor recebeu a visita do pequeno príncipe (delírio, ilusão ou insight? Ninguém sabe).

Inicialmente contrariado por sua própria consciência, Exupéry foi descobrindo que o príncipe habitava um planeta um pouco maior que ele próprio, onde cultivava uma flor, cuidava de três vulcões e arrancava baobás quando pequenos (árvores com raízes poderosas que atravancam os caminhos do planeta).

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Os baobás.

Durante os dias em que tenta consertar o avião, o autor vai descobrindo mais sobre o príncipe e sua trajetória. Antes de chegar ao Saara, o pequeno conta ter conhecido alguns planetas. No primeiro planeta vivia um rei solitário, mas que mesmo assim reinava sobre tudo e todos e ainda achava suas ordens razoáveis. Outro planeta onde morava um vaidoso que não tinha ninguém para admirá-lo e fez do pequeno príncipe um admirador mesmo sem este saber o que aquilo significava. Em outro vivia um bêbado, e este bebia por ter vergonha… de beber. O quarto planeta, habitado por um empresário sem tempo para divagações nem divertimentos, mas que possuía quinhentos milhões de estrelas numa escritura em seu banco. O quinto era habitado pelo acendedor de lampião que, apesar de se concentrar em algo que não ele mesmo, não sabia direito o que/por que fazia. O último planeta, antes de chegar à Terra, era habitado por um geógrafo que nunca havia explorado sua morada. Os simbolismos do autor levam o leitor, de maneira sutil, porém direta, a observar sob um novo ângulo alguns aspectos sobre as pessoas grandes e suas maneiras.

Em sua cruzada pela Terra o príncipe descobre, ao conhecer uma raposa e uma roseira com cinco mil rosas, que o essencial é invisível aos olhos e que sua rosa é única para ele por que a havia cativado e gastado seu tempo com ela – “Tu te tornas eternamente responsável por quem tu cativas”. Ao dividir os segredos com o desesperado Exupéry, este entende novamente algumas verdades da vida – “Os homens do teu planeta – disse o pequeno príncipe – cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim… e não encontram o que procuram”.

Apesar de ter resumido praticamente todo o livro, incentivo fortemente a aquisição dele. Creio, e confirmo por meio de outras pessoas, que esta é uma história para ser relembrada em diferentes fases da vida, pois em cada momento haverá espaço para um insight ou nova interpretação dos acontecimentos frente à nossa própria experiência de vida. Uma leitura fácil, rápida e contemplativa que dá uns belos tapas de luva na nossa cara ao nos confrontar com algumas verdades inconvenientes que passam batidas na nossa complexa e superestimada existência. Vale deixar de lado o preconceito e arriscar uma passada de olhos nessa obra.

Por Lucas Zuch.

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