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Book Review “O Andar do Bêbado”

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Como explicar quando algo que fazemos dá certo? Uma viagem de férias, o resultado de uma prova, um encontro às escuras com uma pessoa que você conheceu na internet. E como explicar quando as coisas dão errado? Um carro atolado, uma briga na escola, uma queda de bicicleta.

Como seres pensantes, desde nossa introdução escolar às noções físicas, somos induzidos a relacionar uma causa a algum evento pelo qual passamos, seja ele bom ou ruim. Por que? Segundo, o autor do livro “O Andar do Bêbado”, Leonard Mlodinow, nosso cérebro não foi desenhado para lidar com a incerteza. Logo, diante de uma situação em que a massa cinzenta se dispõe a processar um acontecimento, retiramos da imensa quantidade de informação que recebemos um padrão lógico que satisfaz a necessidade de uma explicação.

Bem, Mlodinow argumenta que somos ludibriados quando acreditamos que os acontecimentos do Mundo ocorrem sempre por determinado motivo. Na verdade, estamos fazendo exatamente isso: achando padrões em um universo de caos.

Leonard, que apesar de ser um PhD em física, constrói uma narrativa interessante e – relativamente – simples entrelaçando a história dos desbravadores do estudo sobre a aleatoriedade (caras como Gerolamo Cardamo e Blaise Pascal), pesquisas sobre temas diversos como mercado de ações, sucessos e fracassos de Hollywood, teoria dos jogos (de azar, principalmente) e a biografia de artistas como Madonna, Bill Gates e Stephen King.

São citados alguns experimentos como o de um jornal que enviou (às cegas) a introdução de livros ganhadores de Prêmios Pulitzer para editores, e todos recusaram os títulos. Outro caso é o do próprio pai do autor que narra sua história de sobrevivente de campo de concentração por roubar um pão.

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Ao longo dessa construção, Mlodinow demonstra, entre outros tópicos, como a busca pela sensação de segurança e controle sobre nossas ações e decisões é um dos principais motivos pelos quais negamos a influência do acaso em nossas vidas. A lógica (para você ver como é difícil não pensar em causa-efeito) é que não queremos acreditar o quão inúteis nossos atos podem ser em relação à busca de um objetivo ou na prevenção de uma desgraça.

Por mais asfixiante que essa ideia possa parecer, o fato de nunca estarmos 100% no controle é que nos leva a exceder as expectativas. Afinal, não estar no controle não significa que em qualquer coisa que empreendermos nossa inteligência, tempo e dedicação, o acaso ainda contribuirá mais do que esse trabalho. Significa, sim, que – utilizando a frase de Thomas Watson, ex-presidente da IBM – “se você quiser ser bem sucedido, duplique sua taxa de fracassos”.

Em última instância, a leitura de Mlodinow instiga mais do que amedronta.

O andar do bêbado, por sinal, é como se designa o movimento dos elétrons de um átomo, que não pode ser previsto ou replicado, pois é aleatório. Para tanto, não existe sorte ou azar, existe o que você é confrontado e como você reage a determinada situação. Bom ou ruim é uma questão de percepção.

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Texto: Lucas Zuch

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