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BERT: Surf Como Arte de Rua

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Ao caminhar pelas ruas da Califórnia, é fácil perceber a pluralidade de movimentos sociais através de desenhos feitos em muros e paredes. Polêmicas à parte, a arte das ruas que se disseminou através da cidade de Nova York nos anos 70, tornou-se uma forma de expressão para as mais diversas culturas. O surf é uma delas.

A partir do início de 2013, anonimamente assim como o artista de rua Banksy, Bertlemann, mais conhecido como BERT, usa a temporada da elite do surf mundial como inspiração na realização de obras de arte em paredes da costa oeste americana.

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1ª etapa, Snapper Rocks, Gold Coast, Austrália.

Ao se aprofundar no trabalho deste artista, descobrimos uma entrevista realizada pelo portal Surfing Magazine, expondo a essência e as ambições de uma pessoa cuja a motivação são os fatos acontecidos ao longo da temporada do WCT.

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2ª etapa, Bells Beach, Austrália

Como surgiu a ideia de fazer isso?

A ideia surgiu quando comecei a assistir webcasts mais ou menos 7 anos atrás, desde então, tenho assistido todos os campeonatos do WCT. Arte e design são coisas que eu tenho feito desde pequeno, assim como surf e skate, simplesmente sempre me sinto confortável na água e nas ruas. Estes mundos eventualmente colidiram quando me pegaram pela milésima vez dividindo meu monitor entre tarefas e baterias de campeonato, na agência de design onde eu trabalhava. Eu desisti e comecei a ir para as ruas com as minhas próprias regras.

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3ª etapa, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil

A quanto tempo você vem fazendo isso?

Eu comecei a fazer a arte do WCT imediatamente após o Quiksilver Pro 2013 em Snapper com a obra entitulada “Slater Hater”, mas aprender o design do estêncil, a técnica e a habilidade de colocar isso nas ruas sem prejudicar minha integridade física é um aprendizado de uma vida inteira. Eu era a criança que podia desenhar personagens de desenhos nas paredes da escola ou escrever a palavra “foda-se” nos muros do parquinho. Tenho visto paredes limpas como telas desde que me lembro como pessoa.

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4ª etapa, Tavarua, Fiji.

Você tem a arte das ruas como base, ou foi no surf sua primeira invasão de campo?

Depois do documentário ‘Exit Through the Gift Shop’ feito por Banksy aparecer, toda criança quis ser uma artista de rua então as ruas começaram a ficar cheios de fotocópias de retratos de Marilyn Monroe em pedaços de papel 8.5 x 11, mas eu tenho explorado nas sombras muito tempo antes do documentário ser lançado. Você cria o que está em sua mente. Eu sou aficionado por surf, skate, música e pela costa. Todas essas coisas eventualmente acharam um modo de entrar na minha arte ao longo dos anos, mas o tema da ASP começou alguns anos atrás com esboços durante a cobertura dos campeonatos. Fiquei amarradão nisso e foi questão de tempo até eles (os esboços) encontrarem o caminho das ruas.

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5ª etapa, Teahupoo, Tahiti.

Em qual ponto você decide a pintura do campeonato?

Eu normalmente assisto os campeonatos com uma cerveja e um bloco de notas. As páginas vão ficando cheias ao longo do campeonato, e eu encontro o drama e humor em cada evento. Sempre tenho algumas opções de ideias, mas realmente depende de quem vence, a não ser que algo realmente fora do comum aconteça, como o alley-oop de John John em Bali. Eu sabia que seriam duas peças de arte naquele evento quando ele completou a manobra. Algumas ideias vem imediatamente, como quando Adriano quebrou o troféu em Bells, em compensação outras me deixam noites sem dormir. Assim que uma ideia é finalizada, eu junto algumas fotos de referência e trabalho na vetorização da arte. Então vou para o estúdio onde eu crio cada estêncil personalizado feito a mão e preparo a instalação, sempre observando e perseguindo muros enquanto faço isso.

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6ª etapa, Trestles, Califórnia.

Qual foi o mais próximo de ser pego em flagrante?

Fazer arte nas ruas consistentemente, sem atingir o reef, vem apenas após muitos anos de aprendizados de como as ruas funcionam. Eu cresci andando de skate e passando horas por dia assistindo como as ruas realmente funcionam. É como o surf. Você precisa sentar e estudar o swell e as condições antes de começar a remar, e ter o equipamento certo, planos, e a estratégia em caso de cair.

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7ª etapa, Hossegor, França.

Qual é a punição típica para um homem que é pego em flagrante fazendo o que você faz?

Não sei… é sempre diferente. Eu suponho que eles vão te mostrar uma coleção de fotos com todo o meu trabalho. Seria um excelente portfólio. Eu pediria algumas cópias.

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8ª etapa, Peniche, Portugal.

Você tem algum grande objetivo na arte que faz?

Kelly expôs melhor: “Para ser o melhor que puder em algo, você tem que ter um pouco de obsessão.” Eu não poderia parar nem se quisesse. Estou ansioso para 2014 e espero ter meu projeto na estrada seguindo o tour.

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9ª etapa, Pipeline, Oahu, Havaí.

Texto e tradução: Cássio Cappellari

Entrevista original: Surfing Magazine

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