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Banda: Categoria de Base

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Nunca é fácil escolher um caminho. A indecisão é, muitas vezes, paralisante. Se temos essa natural aversão às escolhas, pense em como é decidir sobre duas questões complexas e desafiadoras. Viver de arte é o primeiroO tipo de arte, o segundo.

A primeira decisão já seria suficientemente arriscada para anteceder em alguns anos a fuga da melanina na cabeça dos seus pais. De tempos em tempos você pode, sem se dar conta, ter quase provocado isso algumas vezes: “pois é pai, não sei o que vou fazer no vestibular, tô em dúvida entre Biologia e Design” ou “mãe, acho que esse negócio de capitalismo não tá com nada, tô pensando em ir morar na nossa casa em Pinhal”. Enfim, nada que uma conversa – talvez algumas sessões de choque – não traga a calma e a paz de volta ao lar. Mas quando você chega em casa decidido, depois de pelo menos duas décadas de existência e alguma noção de realidade, e diz – nessa altura nem tanto mais aos seus pais, mas para você mesmo – que vai viver da música, bem, isso exige coragem.

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Banda Categoria de Base. Foto: Arquivo Pessoal

Não é algo tão certo assim, embora o inglês William Shakespeare já tenha encharcado a pena de tinta para dizer que “a segurança é o pior inimigo do homem”, mas quando se pensa em viver da música, de certa forma você imagina aquela receita de sucesso composta de boas harmonias, mas nada muito complexo, uma letra que passe uma mensagem, mas que tenha um refrão grudento e tudo isso, de preferência, condensado em até 3 minutos. Então, quando você decide que vai ser músico e que seu gênero é instrumental, aí eu garanto, isso exige paixão.

Brincadeiras à parte, Bruno Góes (Baixista e Designer, 27 anos) e Rafael Druzian (Guitarrista e Designer, 23) que dividem a mesma profissão, foram os pontos em comum para juntar João Cé (Guitarrista e quase Psicólogo, 25) e Maurício Martinez (Baterista e quase Administrador, 22) na formação da Categoria de Base. A seguir você confere um bate-papo com a banda.

Como ocorreu a junção dos integrantes e a convergência de estilos?

O grupo se conheceu a partir de amigos em comum, a maioria estudantes de Design da ESPM (RS). A “Casa dos Paulistas”, como era chamada a antiga casa do Bruno (Baixista), era um encontro de colegas e amigos trazidos para a roda. O ambiente era sempre de troca de ideias, a galera participava bastante e fazia som livre, com violão e percussão.

Foi então no ano de 2010 que decidimos tentar fazer algum lance, mas que não envolvesse o tradicional cover. Íamos para o estúdio e tocávamos livremente, jams e tal, era um som experimental, sem compromisso. Rolou uns cinco ou mais encontros, porém paramos devido a rotina de cada um, deixando de tocar juntos por praticamente um ano.

Então, em outubro de 2011 retomamos o projeto, agora com comprometimento semanal (atualmente já estamos fazendo duas vezes por semana). Desde a nossa volta a criação se intensificou mais, certamente relacionada a maior intimidade com o papel de cada um na banda e pela questão de manter um encontro semanal assíduo. A composição das músicas funciona na troca ideias individuais e jams. O principal, e algo que achamos essencial, é não fazer uma música totalmente reta e sim colocar detalhes para uma maior complexidade. Para isso, entre as músicas, conversamos e opinamos o que poderia vir a se encaixar melhor em um solo, uma batida, enfim toda essa troca.

Quais são as principais referências?

As principais referências são do groove em geral, artistas como James Brown e Funkadelic, funk/rock, jazz, bandas de rock como Led Zeppelin e bandas de post-rock, como Explosions in the Sky, que fazem um som instrumental e muito criativo.

Como vocês veem as oportunidades no cenário musical para esse estilo menos “convencional”?

Acreditamos que com o crescimento de festivais independentes e o uso da internet como forma de promoção, é possível atingir um público que curta este tipo de som. Segundo nosso guitarrista, João Cé: “a cara da música instrumental vem se transformando de um virtuosismo, por vezes excessivo, para linhas mais melódicas, resgatando as climatizações e a transmissão de significado sem palavras.”

Quais são os próximos planos para a Categoria de Base?

Bem, nossa trajetória é recente. Estreamos no Dhomba e no mesmo fim de semana fomos para Divinópolis (MG) nos apresentar Festival Divino Rock, para o qual fomos selecionados. Final de semana passado (05/05) tocamos também no Alfonsina Beer Pub, na Cidade Baixa. Nosso próximo show está marcado para o dia 1? de julho no 512 Espaço Cultural. Além disso, participaremos de outro festival que se chama Beco dos Artistas, o local, porém, ainda não foi definido, podendo ser em São Paulo ou Rio de Janeiro. Em relação aos planos de estúdio, estamos em fase de composição e no segundo semestre pretendemos gravar um EP para a melhor divulgação do trabalho.

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Categoria de Base no Festival Divino Rock, MG. Rafael, João, Maurício e Bruno. Foto: Arquivo Pessoal

Para maiores informações e contato com a banda acesse:

Facebook Categoria de Base

Introdução e entrevista por Lucas Zuch

 

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