Surfari | 80 e Tal – Um papo com o filmmaker Mark Daniel 80 e Tal – Um papo com o filmmaker Mark Daniel | Surfari

80 e Tal – Um papo com o filmmaker Mark Daniel

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Dar sequência a um projeto, série ou filme sempre é uma parada bem desafiadora. Acrescentar mantendo uma identidade, renovar sem f*der com o conceito. E se os anos 70 são motivo de saudosismo e inspiração psicotrópica, muitas vezes os anos 80 são associados a uma década perdida, época dos mullets, sintetizadores e fita K7.

Porém, se os 80 foram um desastre para a economia, no surf brasileiro rolou um boost, embalado pela vibe/movimento/cultura New Age. Surgia a geração saúde, as surfshops se proliferaram, alguns ídolos e campeonatos fizeram nome. A cultura e mercado em volta do esporte se intensificaram e o surf profissional ganhou espaço. E o baita lance é que o 80 e Tal, programa do Canal Off, está conseguindo retratar todo esse lifestyle de uma forma ainda mais inovadora e conceitual que a temporada (e década) anterior.

13413621_10205308201019063_7480469253491146260_n

80eTal_Grupo SAL_Dennis Tihara

Aproveitando que nosso bro Mark Daniel participou da produção das duas temporadas, trocamos uma ideia rápida com ele pra saber como foi o backstage e o que mudou nesta nova etapa da série.

Surfari: Como foi participar da produção dos 80 e Tal e qual o maior diferencial da série?

Acho que um dos pontos mais legais desses projetos, como o 80 e o 70 e Tal, é toda parte do figurino. Era bem engraçado chegar na praia dar uma olhada ao redor e ver toda aquela galera coloridassa e surfando com pranchas mais coloridas ainda. A vibe não tinha como ser mais descontraída. A galera entra no clima mesmo e veste a camiseta da década. E realmente o que a gente vê no programa hoje é exatamente o que rolava durante as filmagens, muita descontração e diversão.

Surfari: Irado! E tu participou do 70 e Tal também, né? Quais as maiores diferenças (ou semelhanças) em fazer um e outro?

A principal diferença entre 70 e 80 e Tal acho que se deu mais na parte de edição mesmo. Se tu pegar e olhar hoje o 70 tu vai ver uma diferença enorme. Tinha bem mais slow, era muito mais contemplativo. Que era bem a vibe da época mesmo. O 80 não, é mais frenético. Musicas mais rápida e bem menos slow. Acho que nos 80 a galera não queria perder tempo. Como um entrevistado diz em uma entrevista do programa “eu mesmo vou fazer, aqui e agora”. E no 80 teve muito mais trabalho de pós, galera ralou pra fazer os motions.

Surfari: Pois é! Aquela arte gráfica ficou muito animal. Quem fez a pós, afinal? E como tu acha que a música dos anos 80 se relaciona com o surf da época / do programa?

Essa pós foi feita pela equipe de pós do Grupo Sal e mais alguns agregados. Foi um trabalho de bastante gente envolvida. Acho que a música se relaciona muito na maneira que as pessoas surfam. E o surf dos anos 80 conversa diretamente com essas musicas da época. Era um surf mais quebrado, muito mais frenético. Acho que o surf de competição era o tipo de surf que dominava. Quanto mais manobras melhor. Quanto maior a distancia percorrida maior a nota. Enfim, e o som da época acho que segue essa linha mais frenética. Rock’n’roll e o surgimento da musica eletrônica também.

80 e Tal é o segundo capítulo do resgate à história do surf no Brasil que o Canal OFF começou com a série 70 e Tal. Produzido pelo Grupo Sal, com direção de Rafael Mellin, o programa estreou em junho e vai lançar o 6º episódio hoje (terça, 19 de julho). O programa vai ao ar todas as terças, às 22h.

80eTal_Grupo SAL_Galera

Pra saber mais, veja o teaser da série e acompanhe trechos dos episódios em http://canaloff.globo.com/programas/80-e-tal/

Texto: Bruno Nerva
Entrevista: Guilherme Becker

Instagram