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Das enciclopédias para a Wikipédia

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Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Antigamente não tínhamos o Wikipédia e toda a criatividade se baseava em saltos quânticos e na incerteza. É por isso que importantes descobertas científicas eram feitas por pessoas aleatórias, ao mesmo tempo, em lugares diferentes. A culpada é a consciência coletiva.

Todas as informações já estavam circulando no inconsciente, em busca de uma mente que estivesse preparada pra captar a ideia. Hoje essas informações se encontram na internet de maneira acessível gerando novas descobertas através de diferentes conexões. A intenção deste texto é pra explicar como chegamos até aqui.

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Das enciclopédias para a wikipédia (por Lucas Zuch)
Introdução: Rachel Dias

Existe um traço que nos difere de todos os outros animais. A cognição. Essa palavra significa a capacidade de absorver conhecimento. Todo ser é capaz de aprender, mas apenas os humanos são capazes de interligar lições aprendidas em momentos totalmente espaçados para criar uma nova conclusão, uma nova informação. Essa sagacidade cognitiva foi evoluindo ao longo dos últimos 40.000 anos, onde tempos atrás aprendizados primitivos permitiam a concatenação de poucos e simples eventos, como o fogo-queima-logo-não-coloco-minha-mão-nele, até o recente e exponencial avanço da inteligência através da tecnologia. Um instrumento de registro da capacidade humana de absorver conhecimentos acompanhou boa parte dessa trajetória, ao menos os últimos 2.000 anos: as enciclopédias.

Essa coletânea de textos descreve, da maneira mais fiel possível, o estado atual de conhecimento humano. Geralmente compilada por grupos de catedráticos, cientistas, filósofos e pensadores, as enciclopédias colocavam no papel a grande maioria das coisas que a humanidade sabia. O registro sempre foi a maneira linguística ou artística que a nossa raça faz para reconhecer um aprendizado ou uma história. Registrar, da maneira que for, legitima o conhecimento. E como – apesar de alguns comportamentos tentarem provar o contrário – somos seres bastante inteligentes, haja tinta e papel para gravar tanto conhecimento. Quando, no final dos anos 90, surgiu a internet a inteligência humana migrou de um modelo vertical, centralizado e limitado para um modelo horizontal, disseminado e ilimitado. O reflexo disso atingiu tudo que conhecemos, de produtos a experiências, de métodos de ensino a comunicação a… enciclopédias.

Original illustrtion by Flow. http://thestompingzone.blogspot.com/ For Illustration friday Grounded. http://www.illustrationfriday.com/

Ilustração original por Flow (http://thestompingzone.blogspot.com/)

Quando houve a mudança desse modelo, o conhecimento humano aumentou radicalmente, pois ele não precisava ficar preso ao papel, ele podia estar na nuvem. E agora, o registro do conhecimento humano não precisava mais de catedráticos, filósofos e cientistas, ele estava na mão de todos. Surgia a Wikipédia. Talvez um dos instrumentos mais importantes para a revolução do conhecimento, a Wikipédia é a coletânea mais vasta e irrestrita da inteligência humana. A facilidade de acesso e a extensão, com suas mais de 37 milhões de entradas, permite ao mundo o benefício da luz, frente às trevas da ignorância. A capacidade de qualquer pessoa gratuitamente obter a sabedoria amplia as conexões de aprendizados que antes demoravam o tempo da estante-poeira-index-leitura. O imediatismo dessa informação tem efeitos transformadores na sociedade, ele faz com que o conhecimento transcenda o tempo, o acúmulo de conhecimento e passagem adiante de histórias.

Filhos ensinam pais, crianças viram professores de seus mestres e ensinam seus colegas. E assim, formou-se a cauda longa do conhecimento, entradas e artigos que jamais estariam nas páginas de uma edição da Barsa ou da Larousse mas que tem seu conteúdo extensivamente descrito em bytes da Wikipedia. A união das pessoas em desenvolver essa ferramenta também contribuiu para o aumento de sua relevância. Antes criticada por apresentar erros significativos em até 60% dos artigos, desde 2013-14 diversas universidades de todo o mundo passaram a aceitar a Wikipédia como fonte de artigos acadêmicos. E com essa construção coletiva que não tem dono, presidente ou patrono, novamente a humanidade se difere de outros seres, possibilitando o aumento de conhecimentos através da conexão de pessoas totalmente aleatórias.

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